Resíduos sólidos na pesca de arrasto do camarão (_Penaeidae_) no Atlântico Sul tropical.
Resíduos sólidos na pesca de arrasto do camarão (Penaeidae) no Atlântico Sul tropical.
<aleck.barboza@arapiraca.ufal.br>
Apresentamos aqui o problema dos resíduos sólidos, em particular o plástico, na pesca de camarão na costa do Atlântico Sul Tropical. Foram examinados os produtos das pescarias com arrasto de camarão duplo com tangones em duas localidades, central e sul, do litoral alagoano entre 2019-2020. Os resíduos sólidos foram coletados após as pescarias e classificados quanto a sua composição, cores e tamanhos. Em 14 arrastos de camarão foram registrados 1.854 resíduos sólidos e 17,8 kg, com destaque para aqueles compostos por plásticos, com 1.789 (96,5%) itens e 13,5 kg e a categoria “outros” com 65 itens e 4,3 kg (3,5%). Observamos diferenças significativas entre cores e tamanhos dos resíduos sólidos e épocas do ano, relacionado com a pluviosidade. Estimamos para cada quilo de camarão capturado, 66 g de resíduos sólidos, representando 7% do peso médio total dos arrastos, são encontrados e devolvidos ao mar pelos pescadores. Não houveram diferenças significativas entre os locais, contudo para a área mais profunda da costa central, registramos maior diversidade de resíduos sólidos. A presença de resíduos sólidos também está associada as grandes bacias hidrográficas brasileiras, sendo o rio São Francisco um dos maiores contribuintes para a entrada de lixo no oceano. A sazonalidade das chuvas também influenciou a presença de resíduos sólidos nas localidades de pesca, tornando o problema um desafio que requer ação dos políticos e da sociedade. O plástico é o componente mais comum de resíduo sólido, representando uma preocupação global, pois afetam indiscriminadamente a vida marinha e a pesca. A pesca de arrasto duplo com tangones de camarão no Atlântico sul tropical sofre com a poluição por plásticos, reduzindo a biodiversidade e a qualidade da pesca. É crucial reduzir a poluição por plástico, envolvendo pescadores na coleta de resíduos e investir em pesquisa para proteger os ecossistemas marinhos e garantir a manutenção pesqueira.
We present here the issue of solid waste, particularly plastic waste, in shrimp fishing along the Tropical South Atlantic coast. We examined the products of double shrimp trawl fisheries with outriggers in two locations, central and southern, on the coast of Alagoas between 2019 and 2020. Solid waste was collected after the fishing trips and classified according to their composition, colors, and sizes. In 14 shrimp trawls, 1,854 pieces of solid waste and 17.8 kg were recorded, with a significant portion composed of plastics, accounting for 1,789 (96.5%) items and 13.5 kg, while the "other" category included 65 items and 4.3 kg (3.5%). We observed significant differences in the colors and sizes of solid waste and their occurrence across seasons, related to rainfall. We estimated that for every kilogram of shrimp captured, 66 grams of solid waste, representing 7% of the average total weight of the trawls,
are found and returned to the sea by fishermen. There were no significant differences between
the locations, but the deeper central coastal area had a greater diversity of solid waste. The
presence of solid waste is also associated with the major Brazilian watersheds, with the São
Francisco River being one of the largest contributors to ocean pollution. The seasonality of
rainfall also influenced the presence of solid waste at fishing locations, making this issue a
challenge that requires action from policymakers and society. Plastic is the most common
component of solid waste, representing a global concern, as it indiscriminately affects marine
life and fishing. Shrimp trawling in the Tropical South Atlantic is impacted by plastic
pollution, reducing biodiversity and the quality of fishing. It is crucial to reduce plastic
pollution by involving fishermen in waste collection and investing in research to protect
marine ecosystems and ensure the sustainability of the fishing industry.
Me. Lima Júnior, Márcio José Costa de Albuquerque.
Pesca de arrasto.
Poluição marinha .
Pesca do camarão.