Variação sazonal da assimetria flutuante e herbivoria por mastigadores em folhas de_ Laguncularia racemosa_ (L). C. T. Gaertner (Combretaceae).
Variação sazonal da assimetria flutuante e herbivoria por mastigadores em folhas de Laguncularia racemosa (L). C. T. Gaertner (Combretaceae).
<dalton.oliveira@arapiraca.ufal.br>
Diversos processos abióticos podem afetar o desenvolvimento das plantas. Dentre esses, a sazonalidade climática pode atuar como um agente de estresse no desenvolvimento de diversas espécies de plantas, especialmente em ambientes de manguezal. Toda a variação nas características abióticas do mangue devido à presença/ausência da chuva pode contribuir para o estresse das plantas. Esse tipo de estresse pode ser identificado por desvios de estruturas bilaterais naturalmente simétricas, chamados de assimetria flutuante (AF). Além dessas modificações, as diferentes estações também podem alterar o consumo dos herbívoros mastigadores devido à ocorrência da chuva. Baseado nisso, o presente trabalho buscou verificar a ocorrência de AF em folhas de L. racemosa, avaliar os efeitos dos traços funcionais foliares nas taxas de herbivoria por mastigadores em L. racemosa e verificar a influência da sazonalidade nesses processos. Nosso estudo ocorreu em uma área de manguezal localizada no estuário do Rio Manguaba, no município Porto de Pedras, Alagoas, Brasil. A espécie de estudo foi Laguncularia racemosa, árvore de médio a grande porte com elevada abundância em diversos manguezais distribuídos mundialmente. Utilizamos testes de normalidade para identificar a presença de assimetria flutuante nas estações amostradas e Modelos Lineares Generalizados Mistos (GLMM) para identificar se há diferenças nas proporções de herbivoria probabilidade de ataque entre as estações e testar os efeito dos traços funcionais nas proporções de herbivoria e na probabilidade de ataque. Os indivíduos amostrados mostraram assimetria flutuante apenas no período chuvoso. As estações não diferiram em níveis de proporção e probabilidade de ocorrência de herbivoria. Os níveis de AF dos indivíduos não explicaram os padrões de herbivoria. Assim como a AF, os traços foliares também não explicaram as proporções de consumo e de probabilidade de ocorrência de herbivoria foliar. Nossos dados sugerem a possibilidade de haver AF em L. racemosa entre as estações, principalmente com aumento abrupto da pluviosidade, e que os traços funcionais não afetam a probabilidade de ataque e a proporção de herbivoria da folha. Contudo, ainda é necessário identificar a real relação de causa e efeito entre as estações e a presença de AF. Não só isso, como também identificar outras propriedades foliares em nosso sistema que possam afetar os padrões de consumo. Como por exemplo, quantidade de sal excretado na superfície foliar, característica essa não relacionada aos traços medidos em L. racemosa no presente estudo.
Several abiotic processes can affect plant development. Among these, climatic seasonality can act as a stress agent in the development of several plant species, especially in Mangrove environments. Any variation in mangrove abiotic characteristics due to the presence/absence of rain can contribute to plant stress. This type of stress can be identified by deviations of naturally symmetrical bilateral structures, called fluctuating asymmetry (FA). In addition to these changes, different seasons can also alter the consumption of chewing herbivores due to the occurrence of rain. Based on this, the present work sought to verify the occurrence of FA in L. racemosa leaves, evaluate the effects of leaf functional characteristics on rates of herbivory by chewers on L. racemosa and verify the influence of seasonality on these processes. Our study took place in a mangrove area located in the Manguaba River estuary, in the municipality of Porto de Pedras, Alagoas, Brazil. The study species was Laguncularia racemosa, a medium to large tree with high abundance in several mangroves distributed worldwide. We used normality tests to identify the presence of fluctuating asymmetry in the sampled seasons and Generalized Linear Mixed Models (GLMM) to identify whether there are differences in herbivory proportions, attack probability between seasons and test the effects of functional characteristics on herbivory proportions and in the probability of attack. The sampled individuals showed fluctuating asymmetry only in the rainy season. The seasons did not differ in levels of proportion and probability of occurrence of herbivores. Individuals FA levels do not explain herbivory patterns. Like FA, leaf traits also do not explain the proportions of consumption and attack probability. Our data suggest the possibility of AF in L. racemosa between seasons, especially with an abrupt increase in rainfall, and that functional traits do not affect the probability of attack and the proportion of leaf herbivory. However, it is still necessary to identify the real cause and effect relationship between the seasons and the presence of AF. Not only that, but also identify other leaf properties in our system that may affect consumption patterns. For example, the amount of salt excreted on the leaf surface, a characteristic not related to the traits measured in L. racemosa in the present study.
Dr. Barão, Kim Ribeiro.
Ecologia florestal .
Herbivoria.