A judicialização da saúde no Brasil e o abismo entre a teoria e a prática
A judicialização da saúde no Brasil e o abismo entre a teoria e a prática
<eduardo.martins@arapica.ufal.br> Mota, Ronald Medeiros.
<ronald.mota@arapiraca.ufal.br>
O presente trabalho é uma revisão que trata do processo de judicialização associado a profissionais da saúde, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e particulares no Brasil. A população médica está em foco devido à distribuição desigual e aos desafios na formação de novos profissionais. Além disso, discute-se as demandas judiciais de pacientes relacionadas a tratamentos e medicamentos. O principal objetivo da revisão é analisar os principais processos judiciais relativos à judicialização relacionada à saúde, como secundário a relação entre a expansão da formação médica e o aumento do fenômeno da judicialização. Buscou-se compreender o impacto da judicialização na prática médica e na qualidade do atendimento, além de explorar a relação com a formação dos profissionais de saúde. A análise é de natureza qualitativa, baseada em dados de artigos e estudos que discutem o aumento do número de médicos, a judicialização da saúde e as consequências da educação médica no Brasil. Foram consultadas fontes que relatam as disparidades na formação e distribuição dos profissionais de saúde e os impactos na gestão do SUS e sistemas privados de saúde. Embora o Brasil tenha uma proporção de 2,18 médicos por mil habitantes, muito superior à recomendação da OMS de 1 médico por mil, a distribuição é desigual, concentrando-se nas áreas urbanas, especialmente no Sudeste e Sul. Não obstante, esse processo - a judicialização - tem se tornado uma preocupação crescente, com a maioria das ações buscando o acesso a medicamentos e tratamentos. Além disso, observa-se um aumento na judicialização de medicamentos não listados no SUS, especialmente no setor privado. Isso reflete o impacto da pressão judicial no trabalho médico, levando a uma prática defensiva, com aumento de exames e tratamentos desnecessários. A expansão das escolas de medicina no Brasil não tem sido acompanhada de uma melhoria proporcional na qualidade da formação. Isso resulta em lacunas na prática clínica. A formação insuficiente contribui para a medicina defensiva e a judicialização, além de impactar diretamente a qualidade do atendimento. A judicialização, embora importante em alguns contextos, tem se mostrado uma resposta inadequada a falhas no sistema de saúde e na formação dos profissionais. Medidas para melhorar a educação médica, otimizar o SUS e regular a judicialização podem reduzir a sobrecarga no sistema e melhorar o atendimento à saúde no Brasil. A combinação de políticas de recrutamento, formação qualificada e melhor gestão do sistema são essenciais para melhorar a qualidade da saúde no país.
This paper is a review that addresses the process of judicialization associated with healthcare professionals, patients of the Unified Health System (SUS), and private patients in Brazil. The medical population is the focus due to the uneven distribution and the challenges in training new professionals. Furthermore, it discusses the legal demands of patients related to treatments and medications. The main objective of this review is to analyze the key legal processes related to judicialization in healthcare, secondary to the relationship between the expansion of medical training and the increase in judicialization. The goal is to understand the impact of judicialization on medical practice and the quality of care, as well as explore the connection to healthcare professional training. The analysis is qualitative in nature, based on data from articles and studies discussing the increase in the number of doctors, the judicialization of healthcare, and the consequences of medical education in Brazil. Sources were consulted that report disparities in the training and distribution of healthcare professionals and the impacts on the management of SUS and private healthcare systems. Although Brazil has a ratio of 2.18 doctors per thousand inhabitants, much higher than the WHO recommendation of one doctor per thousand, the distribution is uneven, concentrating in urban areas, especially in the Southeast and South. Nevertheless, this process—judicialization—has become an increasing concern, with most legal actions seeking access to medications and treatments. Furthermore, there is an increase in the judicialization of medications not listed in the SUS, especially in the private sector. This reflects the impact of judicial pressure on medical work, leading to defensive practice with an increase in unnecessary tests and treatments. The expansion of medical schools in Brazil has not been accompanied by a proportional improvement in the quality of education. This results in gaps in clinical practice. Insufficient training contributes to defensive medicine and judicialization, directly affecting the quality of care. Although judicialization is important in some contexts, it has proven to be an inadequate response to failures in the healthcare system and in the training of professionals. Measures to improve medical education, optimize SUS, and regulate judicialization can reduce the burden on the system and improve healthcare in Brazil. The combination of recruitment policies, qualified training, and better system management is essential to improving the quality of healthcare in the country.
Esp. Machado, Sandro Lins.
Saúde pública - Brasil.
Judicialização da saúde.
Médicos.
Em inclusão...