O significado social das formas de palatalização progressista e regressiva dos fonemas /t/ e /d/ entre universitários do agreste alagoano
O significado social das formas de palatalização progressista e regressiva dos fonemas /t/ e /d/ entre universitários do agreste alagoano
<jose.afonso@arapiraca.ufal.br>
Esta pesquisa investiga o significado
social das formas de palatalização progressiva e regressiva das consoantes
alveolares /t/ e /d/ entre estudantes universitários do Instituto Federal de
Alagoas (IFAL), Campus Arapiraca, situado no agreste alagoano, no Brasil. Com o
objetivo de compreender como essas variantes são percebidas e avaliadas,
verificando em que medida se configuram como indicadores, marcadores ou
estereótipos (Labov, 2008). Fundamentada na Sociolinguística Variacionista
(Weinreich; Labov; Herzog, 2006; Labov, 2008) e dialogando com contribuições da
Sociolinguística da Percepção (Oushiro, 2015, 2019, 2021) e da teoria da
indexicalidade (Eckert, 2008), a pesquisa adotou abordagem qualiquantitativa e
utilizou como instrumento um questionário eletrônico, associado à técnica
Verbal Guise Test, aplicado em agosto de 2025 a 184 estudantes universitários.
Os resultados atestam que a palatalização progressiva, embora amplamente
reconhecida como característica do repertório linguístico do agreste alagoano
(55,4%), é pouco assumida individualmente (19,0%), confirmando seu estatuto de
estereótipo negativo, associado a informalidade, interior e baixa escolaridade
(Oliveira, 2017; Freitag, 2020; Vitório 2020; Oliveira; Falcão, 2023). A
palatalização regressiva, por sua vez, apresenta baixa produtividade local
(9,8%), mas recebe avaliações mais positivas, vinculadas ao prestígio,
legitimidade e circulação midiática (Vitório, 2020). Também foi observada uma
nítida distinção regional: a progressiva é fortemente associada ao Nordeste,
funcionando como marcador de identidade regional, enquanto a regressiva é
relacionada ao Sudeste, com maior valor de prestígio. Conclui-se que as
percepções e os julgamentos dos participantes sobre as variantes expressam
ideologias linguísticas (Garrett, 2010) que hierarquizam variedades e reforçam
clivagens sociais e regionais, evidenciando como prestígio e estigma se
articulam nos processos de variação e mudança linguística.
This article investigates the social
meaning of progressive and regressive palatalization of the alveolar stops /t/
and /d/ among undergraduate students at the Federal Institute of Alagoas
(IFAL), Arapiraca Campus, located in the agreste region of Alagoas, Brazil. It
aims to understand how these variants are perceived and evaluated, and to what
extent they function as indicators, markers, or stereotypes (Labov, 2008).
Grounded in Variationist Sociolinguistics (Weinreich, Labov & Herzog, 2006;
Labov, 2008) and dialoguing with contributions from Perceptual Sociolinguistics
(Oushiro, 2015, 2019, 2021) and the theory of indexicality (Eckert, 2008), the
study adopts a qualitative-quantitative approach and employs an electronic
questionnaire combined with the Verbal Guise Test technique. Data were
collected in August 2025 from 184 university students. The results indicate
that progressive palatalization, although widely recognized as part of the
linguistic repertoire of the Alagoas agreste (55.4%), is seldom self-reported
(19.0%), confirming its status as a negative stereotype associated with
informality, rurality, and low schooling (Oliveira, 2017; Freitag, 2020;
Vitório, 2020; Oliveira & Falcão, 2023). Regressive palatalization, in
turn, shows low local productivity (9.8%) but receives more positive
evaluations, linked to prestige, legitimacy, and media circulation (Vitório,
2020). A clear regional distinction was also observed: the progressive variant
is strongly associated with the Northeast, functioning as a regional identity
marker, whereas the regressive variant is connected to the Southeast, bearing
higher prestige value. It is concluded that the participant perceptions and
judgments of these variants express linguistic ideologies (Garrett, 2010) that
hierarchize varieties and reinforce social and regional divisions, revealing
how prestige and stigma interact in processes of linguistic variation and
change.
Dr.ª Vitório, Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar.
Sociolinguística variacionista.
Percepção linguística.