O significado social das formas de palatalização progressista e regressiva dos fonemas /t/ e /d/ entre universitários do agreste alagoano

O significado social das formas de palatalização progressista e regressiva dos fonemas /t/ e /d/ entre universitários do agreste alagoano

Autor(a)
Santos, José Cícero Afonso dos.
<jose.afonso@arapiraca.ufal.br>
Ano de publicação
2025
Data da defesa
24/10/2025
Curso/Outros
Letras - Língua Portuguesa
Número de folhas
34
Tipo
TCC - Trabalho de Conclusão de Curso
Local
UFAL, Campus Arapiraca, Unidade Educacional ARAPIRACA
Resumo

Esta pesquisa investiga o significado social das formas de palatalização progressiva e regressiva das consoantes alveolares /t/ e /d/ entre estudantes universitários do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Campus Arapiraca, situado no agreste alagoano, no Brasil. Com o objetivo de compreender como essas variantes são percebidas e avaliadas, verificando em que medida se configuram como indicadores, marcadores ou estereótipos (Labov, 2008). Fundamentada na Sociolinguística Variacionista (Weinreich; Labov; Herzog, 2006; Labov, 2008) e dialogando com contribuições da Sociolinguística da Percepção (Oushiro, 2015, 2019, 2021) e da teoria da indexicalidade (Eckert, 2008), a pesquisa adotou abordagem qualiquantitativa e utilizou como instrumento um questionário eletrônico, associado à técnica Verbal Guise Test, aplicado em agosto de 2025 a 184 estudantes universitários. Os resultados atestam que a palatalização progressiva, embora amplamente reconhecida como característica do repertório linguístico do agreste alagoano (55,4%), é pouco assumida individualmente (19,0%), confirmando seu estatuto de estereótipo negativo, associado a informalidade, interior e baixa escolaridade (Oliveira, 2017; Freitag, 2020; Vitório 2020; Oliveira; Falcão, 2023). A palatalização regressiva, por sua vez, apresenta baixa produtividade local (9,8%), mas recebe avaliações mais positivas, vinculadas ao prestígio, legitimidade e circulação midiática (Vitório, 2020). Também foi observada uma nítida distinção regional: a progressiva é fortemente associada ao Nordeste, funcionando como marcador de identidade regional, enquanto a regressiva é relacionada ao Sudeste, com maior valor de prestígio. Conclui-se que as percepções e os julgamentos dos participantes sobre as variantes expressam ideologias linguísticas (Garrett, 2010) que hierarquizam variedades e reforçam clivagens sociais e regionais, evidenciando como prestígio e estigma se articulam nos processos de variação e mudança linguística.

Abstract

This article investigates the social meaning of progressive and regressive palatalization of the alveolar stops /t/ and /d/ among undergraduate students at the Federal Institute of Alagoas (IFAL), Arapiraca Campus, located in the agreste region of Alagoas, Brazil. It aims to understand how these variants are perceived and evaluated, and to what extent they function as indicators, markers, or stereotypes (Labov, 2008). Grounded in Variationist Sociolinguistics (Weinreich, Labov & Herzog, 2006; Labov, 2008) and dialoguing with contributions from Perceptual Sociolinguistics (Oushiro, 2015, 2019, 2021) and the theory of indexicality (Eckert, 2008), the study adopts a qualitative-quantitative approach and employs an electronic questionnaire combined with the Verbal Guise Test technique. Data were collected in August 2025 from 184 university students. The results indicate that progressive palatalization, although widely recognized as part of the linguistic repertoire of the Alagoas agreste (55.4%), is seldom self-reported (19.0%), confirming its status as a negative stereotype associated with informality, rurality, and low schooling (Oliveira, 2017; Freitag, 2020; Vitório, 2020; Oliveira & Falcão, 2023). Regressive palatalization, in turn, shows low local productivity (9.8%) but receives more positive evaluations, linked to prestige, legitimacy, and media circulation (Vitório, 2020). A clear regional distinction was also observed: the progressive variant is strongly associated with the Northeast, functioning as a regional identity marker, whereas the regressive variant is connected to the Southeast, bearing higher prestige value. It is concluded that the participant perceptions and judgments of these variants express linguistic ideologies (Garrett, 2010) that hierarchize varieties and reinforce social and regional divisions, revealing how prestige and stigma interact in processes of linguistic variation and change.

Orientador(a)
Dr.ª Oliveira, Eliane Vitorino de Moura.
Banca Examinadora
Me. Terto, Arthur Ronald Brasil.
Dr.ª Vitório, Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar.
Palavras-chave
Linguística.
Sociolinguística variacionista.
Percepção linguística.
Áreas do Conhecimento/Localização
Coleção Propriedade Intelectual (CPI) - BSCA.
Categorias CNPQ
8.00.00.00-2 Linguística, letras e artes.
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