Estresse ocupacional e saúde mental: um estudo descritivo-analítico
Estresse ocupacional e saúde mental: um estudo descritivo-analítico
<daniele.pereira@arapiraca.ufal.br>
O estresse ocupacional tem se destacado
como um relevante fator associado ao adoecimento psíquico entre profissionais
de saúde, especialmente diante de jornadas extensas, múltiplos vínculos e
ambientes de trabalho desafiadores. Este estudo teve como objetivo analisar a
associação entre níveis de estresse ocupacional e sintomas sugestivos de
transtornos mentais em trabalhadores da saúde do município de Arapiraca.
Trata-se de um estudo transversal, quantitativo e descritivo-analítico,
realizado com 39 profissionais atuantes na Atenção Primária e em serviços
especializados de saúde mental. Os dados foram coletados por meio de formulário
presencial e online, utilizando dois instrumentos validados: a Escala de
Estresse no Trabalho (EET) e o Self-Reporting Questionnaire-20 (SRQ-20). A
análise foi conduzida de forma descritiva, com distribuição percentual das
variáveis sociodemográficas, ocupacionais e de saúde mental. Os resultados indicaram
que 59,5% dos participantes apresentaram baixo nível de estresse, enquanto
38,1% tiveram estresse moderado. Sintomas como nervosismo, tensão e preocupação
foram relatados por 57,9% dos profissionais, seguidos por insônia, dores de
cabeça e má digestão. Apesar da predominância de escores baixos a moderados de
estresse, observou-se a presença de sinais importantes de desgaste emocional e
físico relacionados ao trabalho. A associação entre sobrecarga laboral,
carência de feedback, ambiente tenso e sintomas psicossomáticos reforça a
importância de estratégias organizacionais voltadas à promoção da saúde mental.
Conclui-se que, embora não haja predominância de quadros graves, a presença de sintomas
compatíveis com transtornos mentais comuns evidencia a necessidade de
intervenções que favoreçam condições laborais mais saudáveis, prevenção do
adoecimento psíquico e fortalecimento do suporte institucional.
Occupational stress has emerged as a
relevant factor associated with psychological illness amonghealthcare
professionals, particularly in the context of lo ng working hours, multiple
jobs, and challenging work environments. This study aimed to analyze the
association between occupational stress levels and symptoms suggestive of
mental disorders among healthcare workers in the municipality of Arapiraca,
Brazil. This is a cross-sectional, quantitative, and descriptive-analytical study
conducted with 39 professionals working in Primary Care and specialized mental
health services. Data were collected through face-to-face and online forms
using two validated instruments: the Work Stress Scale (EET) and the
Self-Reporting Questionnaire-20 (SRQ-20). Data analysis was performed
descriptively, presenting percentage distributions of sociodemographic, occupational,
and mental health variables. Results showed that 59.5% of participants
presented low levels of stress, while 38.1% exhibited moderate stress. Symptoms
such as nervousness, tension, and worry were reported by 57.9% of
professionals, followed by insomnia, headaches, and poor digestion. Although
most participants presented low to moderate stress levels, signs of emotional and
physical strain related to work were evident. The association between workload,
lack of feedback, tense environments, and psychosomatic symptoms reinforces the
relevance of organizational strategies focused on mental health promotion. It
is concluded that, even in the absence of severe clinical manifestations, the
presence of symptoms compatible with common mental disorders highlights the
need for interventions that promote healthier working conditions, prevent
psychological distress, and strengthen institutional support.
Dr.ª Almeida, Thayse Gomes de.
Estresse ocupacional.
Profissionais de saúde.
Transtorno mental.
Saúde mental .