O que faz com que jovens LGBTQIAPN+ do semiárido alagoano (que estão vivos) estejam vivos?
O que faz com que jovens LGBTQIAPN+ do semiárido alagoano (que estão vivos) estejam vivos?
<maria.teodoro@arapiraca.ufal.br>
Este estudo qualitativo teve como objetivo compreender como jovens LGBTQIAPN+ que vivem no Semiárido de Alagoas enfrentam a violência familiar. Para tanto, cartografamos as violências familiares relacionadas à LGBTQIAPN+fobia através dos métodos da revisão da literatura e da cartografia. Para a análise dos materiais levantados utilizamos a cuir-análise e a lesboescrevivência, considerando uma leitura crítica através do pensamento cuir e o diálogo com vivências e experiências pessoais. Mapeamos que a família se constitui como o primeiro território de silenciamento dessas juventudes, atravessado pelo cristianismo e o fundamentalismo religioso que regulam os corpos e os afetos dissidentes através da moral, estendendo-se às articulações entre entre gênero, raça, classe, território, religião e à ciência psicológica. Como práticas de enfrentamento tivemos o dizer como forma de aparecer, o armário e a passabilidade como autoproteção, a ocupação de praças públicas do Semiárido na cidade e no campo como espaço social e afetivo, a família, as redes de apoio e os afetos como referências de cuidado e representatividade, as expressões artísticas e culturais e as amizades como lar, o enfrentamento coletivo e o ativismo como políticas de fortalecimento. Além disso, evidenciamos as tensões da Psicologia entre violência e cuidado. Consideramos que o que faz com que jovens LGBTQIAPN+ do Semiárido alagoano estejam vivas/os são os enfrentamentos produzidos em contraposição à norma e as resistências cuir que são reinventadas pelas dissidências, exercitando a redistribuição das violências familiares.
This qualitative study aimed to understand how LGBTQIAPN+ youth living in the semiarid region of Alagoas face family violence. To this end, we mapped family violence related to LGBTQIAPN+phobia using literature review and mapping methods. For the analysis of the collected materials, we used queer-analysis and lesbian-based writing, considering a critical reading through queer thought and dialogue with personal experiences. We mapped that the family constitutes the first territory of silencing for these young people, traversed by Christianity and religious fundamentalism that regulate dissident bodies and affections through morality, extending to the articulations between gender, race, class, territory, religion, and psychological science. As coping practices, we considered speaking out as a way to appear, the closet and passability as self-protection, the occupation of public squares in the Semi-Arid region, both in the city and in the countryside, as social and affective spaces, family, support networks, and affections as references for care and representation, artistic and cultural expressions and friendships as home, collective confrontation and activism as empowering policies. Furthermore, we highlighted the tensions in Psychology between violence and care. We consider that what keeps LGBTQIAPN+ youth in the Alagoas Semi-Arid region alive are the confrontations produced in opposition to the norm and the queer resistances that are reinvented by dissidence, exercising the redistribution of family violence.
Me. Brito, Raul Santos.
Homossexualidade.
Minorias sexuais - Violência.
Gêneros (grupos sociais).
Violência contra os homossexuais.
Violência de gênero.