Economia circular na indústria fotovoltaica: química de materiais, reciclagem de painéis solares e estratégias de negócios conscientes
Economia circular na indústria fotovoltaica: química de materiais, reciclagem de painéis solares e estratégias de negócios conscientes
<amanda.almeida@arapiraca.ufal.br>
Nos últimos anos, o interesse por energias renováveis tem aumentado,
especialmente pela energia solar fotovoltaica, devido à urgência em mitigar as
mudanças climáticas. A expansão da capacidade instalada, impulsionada pela
redução de custos e avanços tecnológicos, demanda uma gestão eficiente dos
resíduos em fim de vida. Entre os desafios desse setor, a química dos
materiais, a gestão regulatória e a viabilidade econômica da reciclagem se
destacam por sua complexidade. Aspectos como a composição dos painéis, onde a
escolha de materiais com bandgaps ajustáveis e processos de fabricação
como o método Czochralski ou a solidificação direcional definem a
eficiência energética. A gestão dos resíduos também é um desafio regulatório. A
União Europeia, referência global com a Diretiva WEEE, estabelece a
responsabilidade estendida do produtor e metas de reciclagem obrigatórias. No
Brasil, a regulamentação ainda é indireta (PNRS - Lei n° 12.305/2010), embora
haja projetos de lei (PL n° 998-A e PL n° 391/2025) buscando implementar a
logística reversa específica. As tecnologias de reciclagem utilizam rotas
mecânicas, térmicas e químicas, sendo a integração dessas a mais promissora
para maximizar a recuperação de materiais de alto valor , podendo alcançar
taxas de reciclagem de até 96%. O gerenciamento de resíduos se configura como
uma oportunidade econômica baseada na Economia Circular, que prioriza a
reutilização, remanufatura e reciclagem de componentes. O setor exige a adoção
de estratégias de marketing sustentável e alinhamento com as práticas
ESG, enfatizando a circularidade dos recursos e a responsabilidade estendida do
produtor. Conclui-se que a indústria de reciclagem deve alinhar-se ao modelo de
Negócios Conscientes, transformando o desafio do fim de vida útil dos painéis
em um motor de valor econômico e social sustentável.
In recent years, interest in renewable energy, especially solar
photovoltaic (PV), has grown due to the urgency of mitigating climate change.
The expansion of installed capacity, driven by cost reductions and
technological advances, demands efficient management of end-of-life waste.
Among the challenges in this sector, materials chemistry, regulatory
management, and the economic viability of recycling stand out due to their
complexity. The research addressed the composition of the panels, where the
choice of materials with adjustable bandgaps and manufacturing processes such
as the Czochralski method or directional solidification define energy
efficiency. The management of this waste is a regulatory challenge. The
European Union is the global reference with the WEEE Directive, which
establishes extended producer responsibility and mandatory recycling targets.
In Brazil, regulation is still indirect (PNRS - Law n° 12.305/2010), although
there are bills (PL n° 998-A and PL n° 391/2025) seeking to implement specific
reverse logistics. Recycling technologies utilize mechanical, thermal, and
chemical routes, with the integration of these being the most promising to
maximize the recovery of high-value materials, potentially achieving recycling
rates of up to 96%. Waste management is an economic opportunity based on the
Circular Economy, which prioritizes the reuse, remanufacturing, and recycling
of components. The sector requires the adoption of sustainable marketing
strategies and alignment with ESG practices, emphasizing resource circularity
and extended producer responsibility. It is concluded that the recycling
industry must align itself with the Conscious Business model, transforming the
challenge of the panels' end-of-life into a driver of sustainable economic and
social value.
Duarte, Leonardo Gasparini.
Oliveira, Ulisses Júnior de .
Economia circular.
Transição energética.
Painéis solares - Reciclagem.
Matérias-primas críticas (CRMs).
Acesso restrito solicitado pela autora. Provável liberação em 28 jan. 2027.