Formação de professores de geografia e a cartografia tátil: construindo conhecimentos e possibilidades de inclusão
Formação de professores de geografia e a cartografia tátil: construindo conhecimentos e possibilidades de inclusão
<livia.gama@igdema.ufal.br>
Uma formação docente que contemple o
ensino da Cartografia voltado para as pessoas cegas ou com baixa visão inclui o
trabalho com a Cartografia Tátil. Esse conhecimento pode possibilitar a
inclusão de estudantes tanto na sala de aula como no ambiente escolar, bem como
favorecer uma mediação do conteúdo de forma mais prazerosa e ativa, propiciando
aos discentes uma aprendizagem significativa. Dessa forma, objetiva-se com esse
trabalho analisar a formação inicial de professores de Geografia dos Anos Finais
do Ensino Fundamental, de uma escola da rede pública municipal de Arapiraca/AL,
para a alfabetização cartográfica a partir da utilização da Cartografia Tátil e
contribuir com a formação continuada através da oferta de oficinas formativas.
Visa também identificar se há oferta de formação continuada com enfoque na
alfabetização cartográfica de pessoas com deficiência visual pela Secretaria
Municipal de Educação e Esportes (SEMED) de Arapiraca ou órgãos/setores
vinculados e, em caso afirmativo, investigar como ocorrem essas formações. O
percurso metodológico adotado para a realização deste trabalho teve como base
teórico-metodológica a pesquisa-ação. Assim, esta pesquisa envolve a reflexão e
acompanhamento de todas as atividades, ações e decisões dos participantes,
desde o planejamento para a coleta de dados até a ação, que se deu por meio da
aplicação de questionários e realização de oficinas formativas a 5
participantes. Como resultados, após o diagnóstico inicial, obteve-se que os
participantes da pesquisa possuem graduação em Geografia e áreas afins, bem
como especialização na área de ensino. Estes possuem experiência com a
docência, no entanto, afirmaram que nunca tiveram formação voltada ao trabalho
com a Cartografia Tátil, seja na graduação ou em formações continuadas. Sobre o
processo de alfabetização cartográfica e a inclusão de estudantes cegos ou com
baixa visão, os participantes destacaram a importância da cartografia no
cotidiano e no manuseio de tecnologias, porém relataram nunca ter trabalhado
com esse ramo da cartografia voltado para a inclusão, em razão do
desconhecimento do tema e por se tratar de um conteúdo não abordado nas
formações. Foram ofertadas oficinas formativas com o tema “Cartografia Tátil e
o Ensino de Geografia”, sendo a primeira parte teórica, considerando a ausência
de arcabouço teórico relacionado à temática, e a segunda destinada à produção
de mapas táteis. Os participantes afirmaram a importante contribuição das
oficinas para sua formação e para o alcance da aprendizagem de todos os
estudantes, compreendendo a necessidade da utilização de novas técnicas e
habilidades para trabalhar a Cartografia. Conclui-se, portanto, que, embora o
trabalho com a Cartografia Tátil seja tão importante para uma educação
geográfica inclusiva, esta ainda não é conhecida por todos os professores e
profissionais do espaço escolar, sendo necessárias formações continuadas
voltadas para a temática.
Teacher training that includes teaching
Cartography to blind or visually impaired individuals involves working with
Tactile Cartography. This knowledge can enable the inclusion of students both
in the classroom and in the school environment, as well as promote a more
enjoyable and active mediation of content, providing students with meaningful
learning. Therefore, this work aims to analyze the initial training of
Geography teachers in the final years of elementary school at a public school
in Arapiraca/AL, focusing on cartographic literacy through the use of Tactile
Cartography, and to contribute to continuing education through the provision of
training workshops. It also aims to identify whether continuing education
focused on cartographic literacy for visually impaired individuals is offered
by the Municipal Department of Education and Sports (SEMED) of Arapiraca or
related bodies/sectors and, if so, to investigate how these training programs
are conducted. The methodological approach adopted for this work was based on
action research. Thus, this research involves reflection and monitoring of all
activities, actions, and decisions of the participants, from planning for data
collection to the action itself, which took place through the application of
questionnaires and the holding of training workshops with 5 participants. As a
result, after the initial diagnosis, it was found that the research
participants have degrees in Geography and related fields, as well as
specialization in the area of teaching. They have experience in teaching;
however, they stated that they had never had training focused on working with
Tactile Cartography, either in undergraduate studies or in continuing
education. Regarding the process of cartographic literacy and the inclusion of blind
or visually impaired students, the participants highlighted the importance of
cartography in daily life and in the handling of technologies, but reported
never having worked with this branch of cartography focused on inclusion, due
to a lack of knowledge of the subject and because it is a topic not covered in
their training. Training workshops were offered on the theme of "Tactile
Cartography and the Teaching of Geography," with the first part being
theoretical, considering the lack of a theoretical framework related to the
topic, and the second part dedicated to the production of tactile maps.
Participants affirmed the important contribution of the workshops to their
training and to the learning of all students, understanding the need to use new
techniques and skills to work with Cartography. It is concluded, therefore,
that although working with Tactile Cartography is so important for inclusive
geographical education, it is still not known by all teachers and professionals
in the school environment, and continuing education focused on this topic is
necessary.
Dr.ª Ferro, Jenaice Israel .
Dr. Francisco Júnior, Wilmo Ernesto.
Formação docente.
Educação inclusiva.
Ensino de geografia.
Alfabetização cartográfica.
Educação geográfica.