Avaliação da diversidade morfológica e filogenética em Acanthuriformes por meio de morfometria geométrica e métodos filogenéticos comparativos
Avaliação da diversidade morfológica e filogenética em Acanthuriformes por meio de morfometria geométrica e métodos filogenéticos comparativos
<guilherme.barros@arapiraca.ufal.br>
A ordem Acanthuriformes, um clado
diverso dentro de Actinopterygii, apresenta marcada variação morfológica
associada a amplas distribuições ecológicas no ambiente marinho. Neste estudo,
avaliamos padrões de diversidade morfológica e o grau de estruturação
filogenética na ordem utilizando morfometria geométrica bidimensional e métodos
filogenéticos comparativos. As análises incluíram aquisição padronizada de
imagens, marcação de pontos anatômicos homologáveis, incorporação de variáveis
ecológicas e uso de uma filogenia atualizada do grupo. A Análise de Componentes
Principais (PCA) revelou que 74,2% da variação de forma se concentra nos dois
primeiros eixos, indicando eixos dominantes de variação associados ao contorno
corporal e proporções cefálicas. O mapeamento da forma no phylomorphospace
evidenciou convergência morfológica entre linhagens ecologicamente semelhantes,
apesar de sua distância filogenética. O sinal filogenético (K-mult = 0,06) foi
baixo, sugerindo fraca dependência da forma em relação à história evolutiva. A
análise de disparidade mostrou maior variabilidade entre espécies onívoras,
indicando possíveis pressões seletivas ligadas à amplitude trófica. Testes
multivariados (MANOVA) confirmaram efeitos significativos do nível trófico e do
comprimento corporal sobre a forma. Por fim, modelos de PGLS demonstraram
associação robusta entre morfologia e profundidade de ocorrência, reforçando um
cenário em que fatores ecológicos, mais do que filogenéticos, moldam a evolução
da forma nos Acanthuriformes. Em conjunto, os resultados apontam para uma
dinâmica evolutiva dominada por convergência funcional e adaptações ecológicas,
com baixa influência de inércia filogenética na diversidade morfológica
observada.
The order Acanthuriformes, a diverse
clade within Actinopterygii, exhibits substantial morphological variation
associated with wide ecological distributions in marine environments. In this
study, we investigate patterns of morphological diversity and the extent of
phylogenetic structuring in the group using two-dimensional geometric
morphometrics and comparative phylogenetic approaches. The analyses
incorporated standardized image acquisition, homologous landmark digitization,
ecological variable compilation, and an updated phylogeny for the order.
Principal Component Analysis (PCA) revealed that 74.2% of total shape variation
is captured by the first two axes, highlighting primary morphological gradients
linked to body outline and cranial proportions. Mapping species into the
phylomorphospace uncovered clear instances of morphological convergence among
ecologically similar but distantly related lineages. Phylogenetic signal was
weak (K-mult = 0.06), indicating minimal dependence of shape on evolutionary history.
Morphological disparity was highest among omnivorous taxa, suggesting selective
pressures associated with broader trophic niches. Multivariate analyses
(MANOVA) identified trophic level and body length as significant predictors of
shape variation. Furthermore, PGLS models demonstrated a strong association
between body shape and habitat depth, underscoring the dominant influence of
ecological variables over phylogenetic constraints. Collectively, these results
indicate that morphological evolution in Acanthuriformes is chiefly shaped by
functional convergence and ecological adaptation rather than phylogenetic
inertia.
Dr. Miguel, Rafael Danyllo da Silva.
Morfometria geométrica.
Ecologia evolutiva.
Evolução morfológica.