Manifestações neurológicas em pacientes pós-COVID-19 moderada e grave em um hospital público de Alagoas
Manifestações neurológicas em pacientes pós-COVID-19 moderada e grave em um hospital público de Alagoas
<beatriz.macedo@arapiraca.ufal.br> Santos Júnior, Carlos Antônio dos.
<carlos.junior@arapiraca.ufal.br>
Introdução: A COVID-19, causada pelo coronavírus
SARS-CoV-2, é uma infecção respiratória aguda caracterizada por alta
transmissibilidade e potencial gravidade. Por três anos, tal patologia gerou
uma pandemia com impactos políticos, sociais e econômicos devastadores. Foi
descoberto que o vírus apresenta potencial neuroinvasor, desencadeando
complicações neurológicas, especialmente em casos moderados e graves da doença.
Objetivos: Este estudo objetiva descrever as manifestações neurológicas
em pacientes com casos moderado a grave de COVID-19 internados em um hospital
público de Alagoas, investigar as variáveis epidemiológicas das alterações
neurológicas e associação destas, com as principais comorbidades apresentadas. Métodos:
O estudo é uma abordagem observacional transversal feita pela coleta de dados
com questionários, exames neurológicos e de eletroneuromiografia (ENMG). Os
dados foram analisados pelo software estatístico SPSS (Statistical Package for
the Social Sciences) versão 30.0.0 através do teste de qui-quadrado (χ²), o
nível de significância adotado para todas as análises foi de p < 0,05. Resultados:
A amostra foi composta por 39 pacientes, com idade média de 54,9 anos
(±11,05). A maioria eram homens (59%) autodeclarados como pardos (51,3%). Mais
de 40% possuíam ensino superior completo, e 30,8% apresentavam renda familiar
entre um e dois salários mínimos. A obesidade foi a comorbidade mais comumente
evidenciada antes da infecção (66,1%). Dentre as manifestações neurológicas
pós-COVID, a fadiga persistente foi a mais frequente (87,1%), seguida por
alterações de sensibilidade (71,8%), cefaleia (61,54%) e redução da força
muscular (35,8%). Foi identificada uma associação significativa entre as
manifestações neurológicas e a presença de comorbidades (p = 0,012). Embora não
tenha sido encontrada significância estatística entre internações em UTI e
comorbidades, a obesidade foi prevalente em mais de 80% dos casos.
Conclusão: Apesar da relevância dos dados apresentados, o estudo apresentou
limitações no tamanho da amostra, a ausência de grupo controle, dependência de
registros clínicos retrospectivos e a ausência de acompanhamento longitudinal.
Introduction: COVID-19, caused by the SARS-CoV-2
coronavirus, is an acute respiratory infection characterized by high
transmissibility and potential severity. For three years, this pathology
triggered a pandemic with devastating political, social, and economic impacts.
The virus has been found to exhibit neuroinvasive potential, leading to
neurological complications, especially in moderate to severe cases of the
disease. Objective: This study aims to describe the neurological
manifestations in moderate to severe COVID-19 patients hospitalized in a public
hospital in Alagoas, investigate the epidemiological variables of these
neurological alterations, and their association with major comorbidities. Methods:
The study employed a cross-sectional observational approach through data
collection using questionnaires, neurological examinations, and
electroneuromyography (ENMG). Data were analyzed using the statistical software
SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) version 30.0.0, with the
chi-square test (χ²) applied, adopting a significance level of p < 0.05 for
all analyses. Results: The sample comprised 39 patients, with a mean age
of 54.9 years (±11.05). Most participants were men (59%), self-identified as
mixed-race (51.3%). Over 40% had completed higher education, and 30.8% reported
a family income between one and two minimum wages. Obesity was the most
commonly identified comorbidity before infection (66.1%). Among the post-COVID
neurological manifestations, persistent fatigue was the most frequent (87.1%),
followed by sensory alterations (71.8%), headache (61.54%), and reduced muscle
strength (35.8%). A significant association was found between neurological
manifestations and the presence of comorbidities (p = 0.012). Although no
statistical significance was found between ICU admissions and comorbidities,
obesity was prevalent in over 80% of cases. Conclusion: Despite the
relevance of the presented data, the study faced limitations such as sample
size, absence of a control group, reliance on retrospective clinical records,
and lack of longitudinal follow-up.
Dr.ª Freitas, Maria Andréia Lopes de.
SARS-CoV-2 (Vírus).
Manifestações neurológicas.