Impacto da pandemia do COVID-19 na mortalidade por acidente vascular cerebral no Brasil
Impacto da pandemia do COVID-19 na mortalidade por acidente vascular cerebral no Brasil
<danilo.oliveira2@arapiraca.ufal.br> Bezerra, Emilly Wanicelly Alves .
<emilly.bezerra@arapiraca.ufal.br>
A COVID-19 é uma doença infectocontagiosa causada pelo vírus SARS-CoV-2, que se propaga facilmente, principalmente pelas vias respiratórias. Até Março de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou mais de 779 milhões de casos de COVID-19 no mundo, com o Brasil figurando entre os países mais afetados. A pandemia de COVID-19 esteve associada a um aumento nos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), especialmente nos casos mais graves, possivelmente devido à hiperatividade dos fatores inflamatórios e à disfunção no sistema de coagulação. Além disso, o aumento do sedentarismo, a piora na alimentação da população, ansiedade e estresse contribuíram para o aumento da obesidade e, consequentemente, do risco de AVC. Isso sugere uma relação tanto direta quanto indireta entre o aumento da mortalidade por AVC e a pandemia de COVID-19. O objetivo principal deste trabalho foi analisar o impacto da pandemia por COVID-19 na mortalidade por AVC no Brasil. Para tanto, realizou-se um estudo ecológico, de base populacional e de série temporal, utilizando ferramentas de análise temporal e espacial sobre os casos de mortalidade por AVC no Brasil nos anos de 2015-2019 e 2020-2023. Os dados sobre mortalidade foram coletados do Sistema de Informação de Mortalidade – SIM. Para analisar o impacto da pandemia por COVID-19 na mortalidade no Brasil entre 2020-2023 será calculado o percentual de mudança (% mudança), as tendências temporais nos anos anteriores (2015 a 2019) e nos anos de pandemia de COVID-19 (2020 a 2023), através do modelo de regressão linear por pontos de inflexão (joinpoint regression model) e para a análise espacial foram elaborados mapas coropléticos de acordo com o percentual de mudança dos casos de mortalidade por AVC em todos os estados do Brasil. Entre 2015 e 2019, os óbitos por AVC apresentaram tendência estacionária. Em 2020, observou-se redução da mortalidade (−2,3%), provavelmente por subnotificação, em comparação com a média do quinquênio precedente. A partir de 2021, ocorreu aumento progressivo, com pico em 2022 (+6,4%), com a melhora dos sistemas de notificação. A análise temporal manteve-se estável no conjunto do país ao longo de todo o período, porém apresentou tendência de elevação nas regiões Norte e Centro-Oeste. A análise espacial evidenciou os maiores incrementos de mortalidade nos estados do Amapá e do Amazonas. Destaca-se o aumento da mortalidade nas faixas etárias de 40–49 e 70–79 anos. A pandemia de COVID-19 configurou-se como um ponto de inflexão nas tendências de mortalidade por acidente vascular cerebral no Brasil, ampliando as disparidades regionais e etárias. O fortalecimento da rede de atenção ao AVC, a ampliação do acesso a centros especializados e a implementação de políticas públicas voltadas ao controle dos fatores de risco cerebrovasculares constituem estratégias essenciais para mitigar esses impactos.
COVID-19 is an infectious disease caused
by the SARS-CoV-2 virus, which spreads easily, especially through the
respiratory tract. As of March 2026, the World Health Organization (WHO) has
recorded more than 779 million cases of COVID-19 worldwide, with Brazil being
among the most affected countries. The COVID-19 pandemic has been associated
with an increase in stroke cases, especially the most severe ones, possibly due
to the hyperactivity of inflammatory factors and dysfunction in the coagulation
system. In addition, the increase in sedentary lifestyle, the worsening of the
population's diet, anxiety and stress have contributed to the increase in
obesity and, consequently, the risk of stroke. This suggests both a direct and
indirect relationship between the increase in stroke mortality and the COVID-19
pandemic. The main objective of this work was to analyze the impact of the
COVID-19 pandemic on stroke mortality in Brazil. To this end, we conducted an
ecological, population-based, time-series study, using temporal and spatial
analysis tools on stroke mortality cases in Brazil in the years 2015-2019 and
2020-2023. Mortality data were collected from the Mortality Information System
– SIM. To analyze the impact of the COVID-19 pandemic on mortality in Brazil between
2020-2023, the percentage change (% change) and temporal trends in previous
years (2015 to 2019) and in the years of the COVID-19 pandemic (2020 to 2023)
will be calculated using the linear regression model by inflection points
(joinpoint regression model). For spatial analysis, choropleth maps were
created according to the percentage change in stroke mortality cases in all
Brazilian states. From 2015 to 2019, deaths due to stroke showed a stationary
trend. In 2020, a reduction in mortality (−2.3%) was observed, likely due to
underreporting, compared with the average of the preceding five-year period.
From 2021 onward, mortality increased progressively, reaching a peak in 2022
(+6.4%), coinciding with improvements in reporting systems. Temporal analysis
remained stable across the entire period nationwide but increased in the North
and Central-West regions. Spatial analysis revealed the greatest mortality
increases in Amapá and Amazonas. Notably, mortality rose among individuals aged
40–49 and 70–79 years. The COVID-19 pandemic represented a turning point in
stroke mortality trends in Brazil, amplifying regional and age-related
disparities. Strengthening the stroke care network, expanding access to
specialized centers, and implementing public health policies aimed at
controlling cerebrovascular risk factors are essential strategies to mitigate
these impacts.
Ma. Gurgel, Maria Amélia dos Santos Lemos.
Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Estudo ecológico.
Em inclusão....