Pigmentos microbianos e suas aplicações terapêuticas na saúde humana: uma revisão patentária
Pigmentos microbianos e suas aplicações terapêuticas na saúde humana: uma revisão patentária
<eduarda.bissoli@arapiraca.ufal.br>
O
presente estudo trata-se de uma revisão patentária com o objetivo de
identificar o perfil e as tendências tecnológicas globais no campo dos
pigmentos isolados de microrganismos com aplicações terapêuticas voltadas à
saúde humana. A metodologia baseia-se em um mapeamento tecnológico
retrospectivo e descritivo, abrangendo o período de 2016 a 2025, com coleta de
dados nas plataformas Orbit Intelligence, Espacenet, The Lens e no repositório
do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A estratégia de busca
combinou descritores como pigmentos, microrganismos e terapêutica. Foram
incluídas exclusivamente patentes com comprovação experimental da eficácia
biológica por testes in vivo ou in vitro, excluindo-se registros puramente
teóricos ou que tangenciem a temática central do estudo. Dos 1.808 documentos
iniciais, dezenove atenderam integralmente aos critérios. Os resultados
evidenciam a liderança da China, com 52,6% dos depósitos, seguida por Índia e
Brasil, consolidando o eixo asiático como principal polo de inovação.
Observa-se predominância de universidades e institutos públicos (78,9%) entre
os depositantes, indicando forte participação do financiamento estatal.
Temporalmente, destacam-se picos em 2016 e 2022, com o triênio mais recente
concentrando quase metade das patentes. Foram identificadas 16 espécies
produtoras, com predominância de fungos (52,6%) e bactérias (42,1%), incluindo
linhagens marinhas e endofíticas. Os pigmentos distribuem-se em classes como
melaninas, carotenoides, azafilonas, fenólicos, flavonoides e alcaloides, como
a prodigiosina. As análises indicam amplo potencial biotecnológico. No campo
antimicrobiano, foram reportados pigmentos com atividade contra microrganismos
multirresistentes, além de atividades antivirais e tecnologias associadas a
nanopartículas para expandir a ação. No campo oncológico, documentos
patentários descrevem pigmentos que demonstram citotoxicidade seletiva e
bactérias geneticamente modificadas que produzem melanina in situ para
fototermoterapia, com alta inibição tumoral em modelos animais. Aplicações
adicionais incluem uso de melaninas em insuficiência renal crônica e colite
ulcerativa, além de azafilonas com efeitos hipolipidêmicos e antidiabéticos.
Conclui-se que o campo apresenta expansão e resultados promissores em nível
pré-clínico, embora dependa de estudos clínicos e da superação de desafios
produtivos e regulatórios para consolidação no mercado farmacêutico relacionado
à saúde humana.
The
present study is a patent review aimed at identifying the global technological
profile and trends in the field of pigments isolated from microorganisms with
therapeutic applications for human health. The methodology is based on a
retrospective and descriptive technological mapping, covering the period from
2016 to 2025, with data collection from the Orbit Intelligence, Espacenet, and
The Lens platforms, and the repository of the National Institute of Industrial
Property (INPI). The search strategy combined descriptors such as pigments,
microorganisms, and therapeutics. Patents were exclusively included if they
provided experimental proof of biological efficacy through in vivo or in vitro
tests, while purely theoretical registries or those only tangentially related
to the central theme of the study were excluded. Out of the 1,808 initial
documents, nineteen fully met the criteria. The results highlight China's
leadership, with 52.6% of the filings, followed by India and Brazil,
consolidating the Asian axis as the main innovation hub. A predominance of
universities and public institutes (78.9%) is observed among the applicants,
indicating a strong participation of state funding. Temporally, peaks stand out
in 2016 and 2022, with the most recent triennium concentrating nearly half of
the patents. Sixteen producing species were identified, with a predominance of
fungi (52.6%) and bacteria (42.1%), including marine and endophytic strains.
The pigments are distributed into classes such as melanins, carotenoids, azaphilones,
phenolics, flavonoids, and alkaloids, such as prodigiosin. The analyses
indicate broad biotechnological potential. In the antimicrobial field, pigments
with activity against multidrug-resistant microorganisms were reported, in
addition to antiviral activities and technologies associated with nanoparticles
to expand their action. In the oncological field, patent documents describe
pigments that demonstrate selective cytotoxicity and genetically modified
bacteria that produce melanin in situ for photothermal therapy, showing high
tumor inhibition in animal models. Additional applications include the use of
melanins in chronic renal failure and ulcerative colitis, as well as
azaphilones with hypolipidemic and antidiabetic effects. It is concluded that
the field presents expansion and promising results at the preclinical level,
although it depends on clinical studies and overcoming production and
regulatory challenges for its consolidation in the pharmaceutical market
related to human health.
Esp. Gonçalves, Marley Gustavo Cavalcante.
Prospecção tecnológica.
Saúde humana.
Biopigmentos.
Biotecnologia microbiana.