Entre corredores e conquistas: memórias de uma turma de Administração Pública da UFAL: histórias que nasceram na universidade e seguirão para a vida
Entre corredores e conquistas: memórias de uma turma de Administração Pública da UFAL: histórias que nasceram na universidade e seguirão para a vida
Escrever sobre a trajetória
de uma turma que vivenciou a Universidade Pública em sua totalidade é, antes de
tudo, um exercício de escuta e de profundo respeito. Quando assumi minhas primeiras
aulas na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), no campus de Arapiraca,
cruzando a sala como um jovem professor substituto, não imaginava que aquele
encontro inauguraria o ciclo mais marcante e transformador dos meus últimos
dois anos. Aquela era a minha primeira turma no campus; e eu, de certa forma,
era também um recém-chegado ao universo dos corredores onde em outro momento eu
tinha sido aluno. O que se seguiu ao longo desse biênio foi uma das mais
bonitas lições de resiliência, afeto e maturidade que eu poderia testemunhar. Esta
obra não nasce de dados estatísticos frios ou de relatórios gerenciais
impessoais. Ela é o fruto genuíno de uma Atividade Curricular de Extensão,
carinhosamente apelidada de “ACE IV”. O grande desafio de realizar atividades
como esta é tentar apresentar algo que possa representar uma experiência
marcante para os alunos ao mesmo tempo consiga desenvolver competências, habilidades
e atitudes profissionais para estes futuros profissionais da Administração
Pública. Esta ACE foi desenvolvida como forma de dar voz e vazão às memórias
individuais e coletivas de estudantes que, agora no nono período, olham para
trás e contemplam a própria metamorfose. Os textos que compõem este livro são
relatos importantes e marcantes, escritos a muitas mãos, que narram como as
experiências individuais compõe o ambiente das quatro paredes de uma
universidade pública e, de como esse universo é capaz de romper as barreiras da
técnica pura para moldar o caráter, a sensibilidade humana e a consciência
social. A jornada destes alunos e alunas, contudo, esteve longe de ser linear
ou suave. Eles ingressaram sob o peso histórico de terem iniciado seus estudos
pouco tempo depois de uma pandemia, iniciando o sonho do ensino superior
através do retorno às salas de aulas se adaptando ao novo ambiente em que antes
estava sedo vivenciado com isolamentos e incertezas. Quando as aulas iniciaram,
todos precisaram compreender e reaprender o significado dos encontros diários
no horário da noite e de como seriam os próximos quatro anos e meio de desafios
na universidade, com pressões sufocantes da rotina acadêmica, o cansaço extremo
das longas viagens diárias de ônibus, as dificuldades financeiras, as noites
mal dormidas, o acúmulo de trabalhos e a iminência do “tão temido” TCC. Mais do
que isso, muitos enfrentaram batalhas silenciosas dentro de casa, lidando com dinâmicas
familiares complexas e com a preocupação do que fazer após. Durante a leitura, vocês irão perceber ao
longo dos capítulos como esse cenário complexo transformou a vida de cada aluno
e os tornou fortes para enfrentar os desafios diários como, por exemplo, no
cotidiano das aulas eles se revelaram profissionais da gestão de conflitos e
mestres no amadurecimento. Entre uma discussão acalorada em sala de aula e a
necessidade de lidar com personalidades distintas nos trabalhos em equipe, eles
aprenderam que administrar é, fundamentalmente, uma ciência humana. Nos
projetos práticos de extensão — seja na tentativa de conscientização ambiental
para a retirada de copos descartáveis no restaurante universitário, seja no mergulho
técnico para diagnosticar e propor planos de ação aos Conselhos Municipais de
Direito —, estes alunos confrontaram de perto o “abismo” existente entre a
teoria dos livros e a realidade política e burocrática das instituições.
Sentiram na pele a frustração do desinteresse político, mas saíram dessa
experiência com algo muito mais valioso: o fim da ingenuidade e o nascimento de
uma visão crítica irretocável. Paralelamente aos embates acadêmicos, houve
espaço para o afeto. Os laços virtuosos tecidos nos corredores do campus, as
risadas descontroladas em partidas de pebolim que aliviavam o estresse e a rede
de apoio mútua construída entre namorados, amigos e colegas transformaram a
universidade em um porto seguro. Eles descobriram que ninguém caminha sozinho...
Writing about the journey of a class
that experienced public university life in its entirety is, above all, an
exercise in listening and deep respect. When I took over my first classes at
the Federal University of Alagoas (UFAL), on the Arapiraca campus, walking
across the room as a young substitute professor, I never imagined that that
encounter would mark the beginning of the most memorable and transformative
period of my last two years. That was my first class on campus; and I, in a
way, was also a newcomer to the world of those hallways where I had once been a
student myself. What followed over the course of those two years was one of the
most beautiful lessons in resilience, affection, and maturity that I could have
witnessed. This work does not stem from cold statistical data or impersonal
management reports. It is the genuine result of a Curricular Extension
Activity, affectionately nicknamed “ACE IV.” The great challenge in carrying
out activities like this is to present something that can be a memorable
experience for students while also helping them develop the competencies,
skills, and professional attitudes needed for their future careers in Public
Administration. This ACE was designed to give voice to and provide an outlet
for the individual and collective memories of students who, now in their ninth
semester, look back and reflect on their own transformation. The texts that
make up this book are important and poignant accounts, written collaboratively,
that narrate how individual experiences shape the environment within the four
walls of a public university—and how this universe is capable of breaking
through the barriers of pure technical knowledge to mold character, human
sensitivity, and social consciousness. The journey of these students, however,
was far from linear or smooth. They entered college under the historical weight
of having begun their studies shortly after a pandemic, embarking on their
dream of higher education by returning to the classroom and adapting to a new
environment that had previously been marked by isolation and uncertainty. When
classes began, everyone had to come to terms with and relearn the meaning of
daily evening classes and what the next four and a half years of challenges at
the university would be like—with the suffocating pressures of the academic
routine, the extreme exhaustion from long daily bus rides, financial
difficulties, sleepless nights, the mounting workload, and the looming
“dreaded” final thesis. More than that, many faced silent battles at home,
dealing with complex family dynamics and worries about what to do next. As you
read, you’ll come to realize throughout the chapters how this complex scenario
transformed each student’s life and empowered them to face daily challenges;
for example, in their day-to-day classroom experiences, they proved themselves
to be experts in conflict management and masters of personal growth. Between
heated classroom discussions and the need to navigate diverse personalities in
teamwork, they learned that management is, at its core, a human science. In
practical outreach projects—whether in efforts to raise environmental awareness
by phasing out disposable cups in the university cafeteria or in technical
research to diagnose issues and propose action plans to Municipal Bar
Associations—these students confronted firsthand the “chasm” between textbook
theory and the political and bureaucratic reality of institutions. They
experienced firsthand the frustration of political apathy, but emerged from
this experience with something far more valuable: the end of naivety and the
birth of an impeccable critical perspective. Alongside the academic challenges,
there was room for camaraderie. The meaningful bonds forged in the campus
hallways, the uncontrollable laughter during foosball matches that relieved
stress, and the network of mutual support built among partners, friends, and
classmates transformed the university into a safe haven. They discovered that
no one walks alone...
Estudantes universitários.
Administração pública.
Memória institucional.
Texto em Língua inglesa: Google Tradutor.
Atividade Curricular de Extensão (ACE IV) desenvolvida pelos alunos do 8º período do curso de Administração Pública (Bacharelado) da UFAL, Campus Arapiraca.
Referência
SILVA, Samayk Henrique Ferro da (org.). Entre corredores e conquistas: memórias de uma turma de Administração Pública da UFAL: histórias que nasceram na universidade e seguirão para a vida. Arapiraca, AL: UFAL, Campus Arapiraca, 2026. E-book