Panorama da telemedicina no tratamento ao acidente vascular cerebral no Brasil
Panorama da telemedicina no tratamento ao acidente vascular cerebral no Brasil
<maria.anaysa@arapiraca.ufal.br>
Introdução: O Acidente Vascular Cerebral (AVC) permanece como uma das principais causas de morbimortalidade do mundo. No Brasil, o acesso ao tratamento especializado é limitado por barreiras geográficas, estruturais e organizacionais Dessa forma, a telemedicina é uma importante ferramenta para transpor tais dificuldades. Objetivo: Mapear e caracterizar o cenário dos hospitais brasileiros que utilizam a telemedicina como suporte ao diagnóstico e tratamento do AVC. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, transversal, realizado via questionário estruturado (Google Forms). A análise focou na dinâmica entre os hospitais que prestam assistência remota via telemedicina (“Hub") e aqueles que são assistidos por esta modalidade (“Spoke”), investigando também, as ferramentas de tecnologias de comunicação empregadas e as fontes de financiamento. Resultados: Foram mapeados 35 centros que utilizam telemedicina, 21 centros foram caracterizados como Hubs e 14 como Spokes. Com relação aos Hubs, a assistência é prestada, sobretudo, por neurologistas do mesmo corpo clínico do hospital, mesmo que não estejam obrigatoriamente de plantão presencial, podendo atuar em regime de sobreaviso, não necessariamente vinculados à mesma instituição (29,2%). O uso de aplicativos móveis de telemedicina em smartphones ou tablets é a principal modalidade tecnológica, sendo utilizada em 11 instituições (45,8%). Em relação ao financiamento dos serviços de telemedicina nos Hubs, observou-se predominância de recursos públicos (41,7%), seguidos por investimentos privados (33,3%). Dentre os hospitais que recebem assistência remota, o uso de aplicativos móveis também foi o método mais comum, representando 64,3% das ocorrências. Das 14 instituições que declararam ser atendidas por telemedicina, 6 (42,2%) estão localizadas no Nordeste e outras 6 (42,2%) na região Sudeste do país. Desses, 6 (42,9%) têm Unidade de AVC. Nesses serviços, a maior parte do financiamento é pública (64,3%), enquanto 21,4% vem de empresas privadas. Conclusão: O mapeamento revela que a telemedicina no Brasil se organiza prioritariamente através do modelo Hub-Spoke, com forte adesão a tecnologias móveis. A predominância do financiamento público, especialmente nos centros spoke, demonstra o potencial das políticas públicas governamentais na redução das desigualdades assistenciais. Nossos achados servem como um diagnóstico inicial para o planejamento de políticas de saúde que visem a expansão da rede de cuidados e a universalização do tratamento agudo do AVC em território nacional.
Introduction: Stroke remains one of the leading causes of morbidity and mortality worldwide. In Brazil, access to specialized treatment is limited by geographical, structural, and organizational barriers. As such, telemedicine is an important tool for overcoming these challenges. Objective: To map and characterize the landscape of Brazilian hospitals that use telemedicine to support the diagnosis and treatment of stroke. Methodology: This is an observational, cross-sectional study conducted via a structured questionnaire (Google Forms). The analysis focused on the dynamics between hospitals that provide remote care via telemedicine (“Hub”) and those that receive care through this modality (“Spoke”), also investigating the communication technology tools employed and the sources of funding. Results: Thirty-five centers using telemedicine were mapped; 21 centers were classified as Hubs and 14 as Spokes. Regarding the Hubs, care is provided primarily by neurologists from the hospital’s own medical staff, even if they are not necessarily on-site duty, and may work on-call, not necessarily affiliated with the same institution (29.2%). The use of mobile telemedicine apps on smartphones or tablets is the primary technological modality, employed in 11 institutions (45.8%). Regarding the funding of telemedicine services at the Hubs, public funds were predominant (41.7%), followed by private investments (33.3%). Among hospitals receiving remote care, the use of mobile apps was also the most common method, accounting for 64.3% of cases. Of the 14 institutions that reported receiving telemedicine services, 6 (42.2%) are located in the Northeast and another 6 (42.2%) in the Southeast region of the country. Of these, 6 (42.9%) have a Stroke Unit. In these services, most of the funding is public (64.3%), while 21.4% comes from private companies. Conclusion: The mapping reveals that telemedicine in Brazil is primarily organized through the Hub-Spoke model, with strong adoption of mobile technologies. The predominance of public funding, especially in spoke centers, demonstrates the potential of government public policies to reduce healthcare inequalities. Our findings serve as an initial assessment for planning health policies aimed at expanding the healthcare network and achieving universal access to acute stroke care nationwide.
Dr.ª Baggio, Jussara Almeida de Oliveira.
Telemedicina.
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