Assistência de enfermagem à mulher com depressão puerperal: revisão de escopo

Assistência de enfermagem à mulher com depressão puerperal: revisão de escopo

Autor(a)
Silva, Ilana Flávia Tenório.
<ilana.silva@arapiraca.ufal.br>
Ano de publicação
2026
Data da defesa
25/03/2026
Curso/Outros
Enfermagem
Número de folhas
43
Tipo
TCC - Trabalho de Conclusão de Curso
Local
UFAL, Campus Arapiraca, Unidade Educacional ARAPIRACA
Resumo

A depressão puerperal (DPP) constitui um importante problema de saúde pública, caracterizado por tristeza persistente, desesperança, ansiedade e alterações emocionais que surgem no período pós-parto, podendo comprometer o vínculo mãe-bebê, a dinâmica familiar e o desenvolvimento infantil. O ciclo gravídico-puerperal envolve intensas mudanças biológicas, psicológicas e sociais, tornando a mulher mais vulnerável ao adoecimento mental. Fatores como depressão pré-natal, baixo suporte social, dificuldades na amamentação, vulnerabilidade socioeconômica, violência doméstica e histórico de transtornos mentais estão associados ao aumento do risco de DPP. Nesse contexto, a enfermagem, especialmente na Atenção Primária à Saúde, desempenha papel estratégico na identificação precoce, prevenção e manejo dessa condição. Por isso, a questão de pesquisa do presente estudo será: “O que a literatura evidencia sobre a assistência de enfermagem à mulher com depressão puerperal?” O objetivo deste estudo consiste em mapear, na literatura nacional e internacional, as principais evidências sobre a assistência de enfermagem à mulher com depressão puerperal.Trata-se de uma revisão de escopo conduzida conforme as recomendações do Joanna Briggs Institute e do checklist PRISMA-ScR. A pergunta norteadora foi estruturada pela estratégia PCC (População: mulheres com depressão puerperal; Conceito: assistência de enfermagem; Contexto: saúde da mulher). A busca foi realizada em janeiro de 2026 nas bases PubMed, Medline, Scopus, Biblioteca Virtual em Saúde e SciELO, utilizando descritores em português e inglês combinados por operadores booleanos. Foram incluídos estudos originais disponíveis na íntegra, nos idiomas português e inglês. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade e exclusão de duplicidades, 21 artigos compuseram a amostra final. Os dados foram organizados e analisados de forma descritiva, sendo os estudos classificados conforme o sistema GRADE quanto ao nível de evidência. Os achados foram organizados em três categorias: identificação e rastreamento da DPP; tipos de intervenções e cuidados prestados; e desafios e fatores facilitadores da assistência. Evidenciou-se a importância do rastreamento precoce por meio de instrumentos validados, como a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo, além da escuta qualificada e acompanhamento longitudinal desde o pré-natal. As intervenções de enfermagem mostraram-se eficazes quando estruturadas e precoces, incluindo abordagens psicossociais, intervenções cognitivo-comportamentais, programas de navegação em saúde, promoção da autoeficácia, fortalecimento do suporte social, incentivo ao vínculo mãe-bebê e uso de tecnologias digitais mediadas por enfermeiras. Ensaios clínicos randomizados evidenciaram redução significativa dos sintomas depressivos e melhora em desfechos maternos e relacionais. A assistência de enfermagem à mulher com depressão puerperal é multifacetada e fundamental para a promoção da saúde mental materna. A efetividade do cuidado depende da articulação entre capacitação profissional, organização dos serviços e fortalecimento das políticas públicas. Estratégias baseadas em evidências, precoces e integradas à rede de atenção psicossocial são essenciais para garantir cuidado integral, humanizado e equitativo às mulheres no período puerperal. 

Abstract

Postpartum depression (PPD) is an important public health issue, characterized by persistent sadness, hopelessness, anxiety, and emotional changes that occur after childbirth, potentially affecting the mother-baby bond, family dynamics, and child development. The pregnancypuerperal cycle involves intense biological, psychological, and social changes, making women more vulnerable to mental illness. Factors such as prenatal depression, low social support, difficulties with breastfeeding, socioeconomic vulnerability, domestic violence, and a history of mental disorders are linked to an increased risk of PPD. In this context, nursing, especially in Primary Health Care, plays a strategic role in early identification, prevention, and management of this condition. Therefore, the research question for this study will be: 'What does the literature reveal about nursing care for women with postpartum depression?'. The aim of this study is to map, in both national and international literature, the main evidence on nursing care for women with postpartum depression. This is a scoping review conducted following the recommendations of the Joanna Briggs Institute and the PRISMA-ScR checklist. The guiding question was structured using the PCC strategy (Population: women with postpartum depression; Concept: nursing care; Context: women's health). The search was carried out in January 2026 in the PubMed, Medline, Scopus, Virtual Health Library, and SciELO databases, using descriptors in Portuguese and English combined with Boolean operators. Original studies available in full, in Portuguese and English, were included. After applying eligibility criteria and removing duplicates, 21 articles made up the final sample. The data were organized and analyzed descriptively, with the studies classified according to the GRADE system in terms of the level of evidence. The findings were organized into three categories: identification and screening of PPD; types of interventions and care provided; and challenges and facilitating factors of care. The importance of early screening using validated tools, like the Edinburgh Postnatal Depression Scale, was highlighted, along with qualified listening and longitudinal follow-up starting from prenatal care. Nursing interventions proved effective when structured and early, including psychosocial approaches, cognitive-behavioral interventions, health navigation programs, promotion of self-efficacy, strengthening social support, encouraging mother-baby bonding, and the use of nurse-mediated digital technologies. Randomized clinical trials have shown a significant reduction in depressive symptoms and improvements in maternal and relational outcomes. Nursing care for women with postpartum depression is multifaceted and essential for promoting maternal mental health. The effectiveness of care depends on the coordination between professional training, service organization, and the strengthening of public policies. Evidence-based strategies, early interventions, and integration into the psychosocial care network are essential to ensure comprehensive, humane, and equitable care for women during the postpartum period. 

Orientador(a)
Dr.ª Serbim, Andreivna Kharenine.
Coorientador(a)
Esp. Anjos, Carla Souza dos.
Banca Examinadora
Esp. Anjos, Carla Souza dos.
Dr.ª Almeida, Thayse Gomes de.
Palavras-chave
Saúde da mulher.
Saúde mental.
Enfermagem.
Depressão pós-parto.
Áreas do Conhecimento/Localização
Coleção Propriedade Intelectual (CPI) - BSCA.
Categorias CNPQ
4.00.00.00-1 Ciências da saúde.
Visualizações
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