Narrativas de si, violência de gênero e produção de sentidos : uma análise das práticas discursivas de Elize Matsunaga na série documental “Elize Matsunaga: era uma vez um crime”
Narrativas de si, violência de gênero e produção de sentidos : uma análise das práticas discursivas de Elize Matsunaga na série documental “Elize Matsunaga: era uma vez um crime”
<yasmin.oliveira@arapiraca.ufal.br>
A violência de gênero se constitui como um fenômeno amplo, atravessado por relações de poder históricas, sociais e discursivas que produzem sentidos sobre o feminino. O presente trabalho teve como objetivo compreender de que forma os repertórios linguísticos usados por Elize Matsunaga, no documentário Elize Matsunaga: Era Uma Vez um Crime (Netflix, 2021), funcionam como práticas discursivas para (re)construir e (re)significar sentidos sobre sua pessoa, sobre sua relação conjugal com Marcos, sobre as violências sofridas ao longo da vida, sobre seus conhecimentos de Enfermagem e da caça animal predatória e sobre sua relação com a filha e a maternidade. No que se refere à metodologia, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter documental, feita a partir do referencial do Construcionismo Social. O objeto da análise empírica foi constituído pelas falas de Elize presentificadas no documentário, analisadas à luz das Práticas Discursivas e das produções de sentidos, considerando a linguagem como elemento compositor das realidade e das pessoalidades. Como ferramenta analítica, foram utilizados os mapas dialógicos, possibilitando a identificação dos repertórios linguísticos utilizados ao longo de sua narrativa. A análise resultou na construção de temas analíticos que evidenciam sentidos relacionados à idealização do casamento, às dinâmicas de controle e dominação masculina, às experiências de violência simbólica e psicológica, bem como às estratégias discursivas de resistência e ressignificação de si. Desse modo, o estudo destaca a relevância da Psicologia Social na compreensão da violência de gênero para além dos atos físicos, evidenciando como as práticas discursivas sustentam, naturalizam ou tensionam relações desiguais de poder.
Gender-based violence constitutes a broad phenomenon, traversed by historical, social, and discursive power relations that produce meanings about the feminine. This work aimed to understand how the linguistic repertoires used by Elize Matsunaga in the documentary *Elize Matsunaga: Once Upon a Crime* (Netflix, 2021) function as discursive practices to (re)construct and (re)signify meanings about herself, her marital relationship with Marcos, the violence suffered throughout her life, her knowledge of nursing and predatory animal hunting, and her relationship with her daughter and motherhood. Regarding methodology, this is a qualitative, documentary research study, conducted from the perspective of Social Constructionism. The object of empirical analysis consisted of Elize's speeches as presented in the documentary, analyzed in light of Discursive Practices and the production of meaning, considering language as a component of reality and personalities. As an analytical tool, dialogic maps were used, enabling the identification of linguistic repertoires used throughout the narrative. The analysis resulted in the construction of analytical themes that highlight meanings related to the idealization of marriage, the dynamics of male control and domination, experiences of symbolic and psychological violence, as well as discursive strategies of resistance and self-resignification. Thus, the study emphasizes the relevance of Social Psychology in understanding gender violence beyond physical acts, showing how discursive practices sustain, naturalize, or create tension in unequal power relations.
Messias, Nayane Keilla.
Psicologia social.
Violência conjugal.
Feminicídio.
Construcionismo social.